O ar que penetrava em meus pulmões os faziam latejar de dor, esse ar não era o meu. Tampouco essas pulsações que pareciam massacrar meu... Hm, coração. Também não eram meus, estes olhos que nada enxergavam, e este corpo, vazio. Eu não pertencia a este lugar. Algum anticorpo ativo esta disposto a me fagocitar? Antígenos precisam morrer. Eu preciso.
Eu gostaria daquela paz, aquela que vem do nada, e paira sobre tua cabeça, faz seu coração se manter leve. Achei ate que estava caminhando sobre as nuvens, lembra? Ao teu lado, nada parecia importar. Era você, as nuvens, e eu. E pra qualquer lado que eu fosse, não importava, afinal era tudo céu mesmo. E hoje, em qualquer direção que eu siga, eu desabo. Meu chão não são nuvens, são precipícios me atraindo; Eles dizem que eu posso voar, uma vez ate acreditei. E meu Deus, foi incrível a sensação de hm, voar. Ou melhor, de estar caindo. E estar caindo é praticamente voar, não é? Mas saiba que estar no chão era praticamente hm, estar morto. E não, não é uma sensação boa, ao menos de lá, daquele 'poço', ninguém parecia ouvir minhas lamúrias. Mas voar sim, era indescritível. E morrer também era.
Onde eu estou parece o mar, o meu mar. Daqui eu não vejo o céu, não vejo a terra, não vejo nada. Daqui eu não ouço tua voz, sequer ouço ruídos, não ouço nada mesmo, só o vento que de vez em quando vem me perturbar e me fazer tremer, de frio ou de medo. Queria saber se esse pó semelhante a terra, teria o mesmo gosto que café. Porque água, embora fria e salgada, eu tenho. Saiba que lágrimas não me faltam.
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