domingo, junho 20, 2010

Rio de Janeiro, 19 de Junho de 2010.

Madrugada, aproximadamente 2 AM.

O sangue que corria nas minhas veias fora substituído por álcool. Aquele corpo, aquele enjoo, eu não estava acostumado. Eu parecia rodar 360 graus em menos de um segundo. Meu estomago parecia estar entrelaçado em si, de cabeça pra baixo. Meus olhos pesavam, minha voz era fraca, eu sentia um frio que não era pra estar sentindo. Ali, naquela casa, eu perdi algo mais do que um simples objeto. Dessa vez não havia sido um short ou um mp4 .. Nada do genero. Dessa vez eu perdi algo que esta me fazendo falta. Respirar dói, pensar cansa, viver da nojo. Alguém viu minha vida, minha'alma e minha doçura? Acho que perdi naqueles lençóis sujos que estavam amassados no chão da sala.

Sobre efeito do álcool, de madrugada, com uma caneta nas mãos e um folha, aquela coisa que existe aqui dentro tentou se comunicar. E eu escutei. Sem tirar, nem pôr, ele pulsou exatamente assim:


"Dai você percebe que o que falta em você é racionalidade. Você não ta aqui por amor, ou esta, mas ainda, você esta aqui por compreenção! Ta aqui porque teve uma historia, uma historia que ela acha que apaga com três copos de cerveja, uma historia que ta no seu corpo, queimando. No seu corpo tomado por mais de 6 copos de contini! Você lembra, considera, respeita. Coração pequeno, esmagado por pensamento, coração frágil. Coração que te engana por semanas, por semanas! Coração que te deseja um fim, quem sabe feliz.

Dai você se sente no lugar errado, no mundo errado, respirando o ar errado. O ar que nega tuas narinas, o ar que rejeita teus pulmões, o ar que penetra no seu corpo e sai devastando a vida que você achou que ainda existia em você. Cade seu ar? Cade sua vida? Ainda que triste, pertencia a você. A sua pequena e medíocre vida. Sua voz não dói! Sua voz enjoa! Da vontade de vomitar! De colocar suas lembranças pra fora de mim, como se você nunca existisse! Nunca existisse."


Fica longe dessa vez guria, estas são minhas ultimas palavras. Porque parece que tu esquece as palavras que soam da tua boca. Parece que a desmemoriada aqui és tu. Te olha no espelho, pergunta ao teu reflexo se ele gostaria de ver o que eu vi. Pergunta a ele quem foi você. Perde-se consideração, admiração, respeito e doçura. Não você, mas eu. Procura naqueles lençóis sujos, depois joga no vaso e da descarga. Os esgotos agradecem.

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