Dai eu resolvi escrever nos meus momentos não úteis. Tentar ser produtivo em algo, embora eu considere isso um tanto quanto, complicado. Improdutividade ou inutilidade, como você preferir, era um dos meus pontos fortes, bem forte. Eu conseguia ser o inerte dentro dos movimentos mais bruscos, a partir daí, eu conseguia ser tudo que eu não queria ser.
Eu era a noite estrelada que prometia um intenso calor ao amanhecer, ou mesmo um céu nublado, que escondia teu luar, e tornava o resto do teu dia cinza. Eu era o incompleto, o relógio que parou antes de dar uma volta de 360°, ou o livro que você parou de ler, e sequer lembra do titulo. Sou eu o esquecido que vem te lembrar que eu não existo, embora lembrar de alguém que não exista, é praticamente não lembrar, mas sou eu, o esquecido que você esqueceu faz tempo. Sou eu também o vento frio que toca teu rosto nas manhãs chuvosas, e que te faz fechar as janelas, expulsando minha presença. Eu sou quem te incomoda. Ou que na minoria das vezes te faz sorrir. Mas a verdade é que as vezes, eu não sou quase nada.
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